7ª Edição do Festival Novas Frequências acontece entre os dias 4 e 10 de dezembro no Rio de Janeiro

14 de novembro de 2017
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A 7ª edição do Festival Novas Frequências, principal evento internacional de música experimental e explorações sonoras da América do Sul, acontece entre os dias 4 e 10 de dezembro, no Rio de Janeiro. A programação que reúne 18 atrações de 10 países diferentes em atividades que incluem shows, performances resultantes de residências artísticas, festas, instalações sonoras e oficinas, continua no formato de ocupação da cidade, distribuindo eventos em diversos espaços.

Fruto da parceria entre o curador Chico Dub e a produtora cultural Tathiana Lopes, o Novas Frequências surgiu em 2011 sempre à procura de artistas que rompem com fronteiras pré-estabelecidas em busca de novas linguagens sonoras. Para o festival, importa muito mais a experiência com o som do que propriamente gêneros e estilos musicais – o que o acaba aproximando mais da arte contemporânea do que da música como entretenimento.

O festival é considerado um dos três melhores eventos de cultura do país segundo o Prêmio Bravo 2016!; apontado, pelo segundo ano consecutivo, como um dos melhores festivais do mundo (e o principal evento de vanguarda brasileiro) pela plataforma internacional Resident Advisor; e eleito o Melhor Festival do Rio de acordo com o Prêmio Noite Rio 2013. Outra importante honraria adquirida pelo festival é ser membro integrante da rede internacional ICAS (International Cites Of Advanced Sound), network que reúne alguns dos mais importantes festivais de culturas sonoras avançadas, música de vanguarda e artes relacionadas como o Mutek (Montreal, Canadá), o Unsound (Cracóvia, Polônia), o CTM (Berlim, Alemanha) e o TodaysArt (Haia, Holanda).

Segundo o curador Chico Dub, “os muitos recortes curatoriais da 7ª edição do Novas Frequências de alguma forma se associam ao tema central ‘raízes’. Abordam conceitos e práticas como pioneirismo, natureza e ecossistemas, voz, corpo, infância, DNA, origem, novos encontros e colaborações, essência, partes ocultas de um objeto, deslocamentos (e realocamentos) territoriais, povos nativos brasileiros, práticas espirituais ancentrais.”

Outro destaque na programação do festival este ano passa pela questão dos espaços adotados, alguns deles inéditos no histórico do evento. Oi Futuro Flamengo, Teatro XP Investimentos (o novo Teatro do Jockey), Audio Rebel, Parque Lage, Igreja da Lapa, Theatro Municipal (Sala Mário Tavares), MAM – Museu de Arte Moderna do Rio e um local secreto a ser divulgado no dia do evento, são os oito locais escolhidos para receber o festival este ano. “Era um sonho antigo ocupar uma igreja com música experimental. Ter a oportunidade de estar na Igreja da Lapa, justamente com o William Basinski, nesta espécie de missa para o David Bowie, certamente será um dos pontos altos da nossa trajetória. A instalação no MAM também merece atenção especial em função da arquitetura do Reidy e de toda a história do museu com as artes visuais. É uma grande honra para o Novas Frequências estar ali presente. Outro desejo antigo era pensar uma programação especial voltada para crianças, o que finalmente conseguimos viabilizar através de mais uma parceria com a Editora Cobogó trazendo o Chelpa Ferro em uma espécie de instalação-performance-interativa, afirma a diretora Tathiana Lopes”.

Mestre na manipulação de loops de fita de rolo, o compositor minimalista norte-americano William Basinski é uma influência no renovado interesse em torno de sonoridades atmosféricas. No Novas Frequências, irá apresentar A Shadow in Time, trabalho que traz uma meditação musical sobre a perda de amigos e heróis, dentre eles David Bowie. Outro grande artista referenciado é o suiço-americano Christian Marclay – um dos maiores nomes na junção das artes visuais com as culturas do áudio. Famoso por suas colagens nas mais variadas mídias, Marclay terá algumas de suas peças gráficas, dentre elas uma partitura em formato de história em quadrinhos, interpretadas pelo ensemBle baBel, quinteto que se apropria da música clássica e contemporânea através de inovadoras abordagens ligadas a improvisação. Reconhecido como um dos principais instrumentistas contemporâneos, Otomo Yoshihide se move entre o free jazz, o noise, a improvisação, a composição e o inclassificável em todas as constelações com as quais está envolvido. Ícone do underground e da vanguarda japonesa, Yoshihide se apresentará de duas maneiras: solo, realizando experimentos com toca-discos e vinis preparados (tal como os turntablists Philip Jeck e o próprio Christian Marclay) e em trio, tocando guitarra em conjunto com os improvisadores Felipe Zenícola e Renato Godoy (respectivamente baixo e bateria do combo carioca de noise-jazz-funk Chinese Cookie Poets). A prática improvisativa combinada ao noise e a cena local também remetem ao Chelplexx, união de dois dos projetos mais representativos da música experimental do Rio: Chelpa Ferro e Duplexx.

A natureza, via gravações de campo de florestas e sons de animais, se faz presente em Unique Horns, peça solo para 3 trompetes, laptop, sistema de amplificação DIY e vários objetos ressonantes criada e performada pelo trompetista e compositor parisiense Louis Laurain. Já na performance da alemã Ute Wassermann, que se apresenta ao lado do rabequeiro e saxofonista suiço-brasileiro Thomas Rohrer, os sons da natureza, especialmente os de pássaros, são emulados via voz, o primeiro instrumento humano. Dotada de uma linguagem com muitas nuances e extremos, a alemã cria um mundo onde pássaros, máquinas e eletrônicos se misturam. Paisagens sonoras, gravações de campo, bioacústica e etnomusicologia são algumas das práticas adotadas pela geógrafa e artista sonora Luisa Lemgruber. Ao lado de Gabriela Mureb e Sanannda Acácia, Luisa produz um ritual performático e sensorial que explora os limites do corpo e da paisagem. Atualmente em pesquisa sobre ritmos naturais, sonoridades inaudíveis e relações entre a bioeletricidade humana e a etnobotânica, Negalê é também um criador de rituais. Seu Gabinete de Sonoridades Extraordinárias mistura tradição e afrofuturismo, tendo como base o cenário e o imaginário dos povos originais das florestas do Brasil e o encontro de tais peculiaridades com a tecnologia contemporânea.

Além do trabalho de Negalê, circuitos eletrônicos customizados, criação de instrumentos inusitados e hackerismo também são características marcantes na trajetória de outras três artistas do #nf2017. Dewi de Vree cria obras baseadas na fisicalidade da eletricidade, eletroquímica, termodinâmica e eletromagnetismo, revelando e tornando perceptíveis processos invisíveis que cercam nossas vidas diárias. Em parceria com Patrizia Ruthensteiner, desenvolveu ”Magnetoceptia”, uma série de performances e instalações em que trajes customizados captam campos eletromagnéticos e os traduzem em sons eletrônicos. Os chamados “wearables” igualmente estão presentes no trabalho da australiana/escocesa Phantom Chips, artista que produz melodias ruidosas através de “sintetizadores vestíveis”, gravações de campo e manipuladores caseiros de fita. Com o apoio do British Council e do PRS Foundation, Phantom Chips ficará quatro semanas em residência no Rio colecionando os sons das ruas, pesquisando os movimentos de contracultura no país e interagindo com os músicos locais com o intuito de criar novos instrumentos musicais.

A parte mais festiva do NF este ano está muito bem representada pelo Acid Arab, duo de Paris que tem como objetivo misturar todo tipo de música oriental (Norte da África, Líbano, Siria, Turquia) com sons eletrônicos: desde a veterana acid house até o techno contemporâneo. Aïsha Devi funde club music com mantras harmônicos como ninguém, tirando proveito de sua origem nepalesa-tibetana, além de poesia bengali, sufismo, física e música de frequências graves, para criar música, ora provocativa, ora introspectiva. Com formação em composição eletroacústica, Christelle Gualdi aka Stellar OM Source busca inspiração no caminho para a consciência superior e o cosmos em meio a muitos sintetizadores analógicos e batidas de techno, house e electro. Os talentos locais grassmass e Carrot Green, em mais uma parceria do Novas Frequências com a Red Bull e o centro cultural paulistano e espaço de residências Red Bull Station, irão desenvolver projetos comissionados inspirados em álbuns clássicos e obscuros da nossa música. Enquanto grassmass (Rodrigo Coelho) atualiza, via batidas eletrônicas e sintetizadores modulares, os mantras regados a candomblé de “Coisas”, de Moacir Santos, Carrot Green (Carlos Gualda) constrói uma espécie de linha do tempo musical com samples de discos provenientes de diferentes regiões do país.

A espiritualidade e a transcedência, temas tão comuns à música eletrônica de pista, se encaixam perfeitamente na sonoridade mais voltada a música ambiente eletrônica do paulistano Felinto, cuja pesquisa é geralmente apresentada em trabalhos voltados para a expansão de consciência, sessões de meditação, contato e improvisação e hatha yoga. Baterista da banda canadense de indie rock Arcade Fire, o multi-instrumentista Jeremy Gara parece querer sonorizar as telas de Mark Rothko ao criar densas, abstratas e introspectivas texturas melódicas.

Dentre as diversas colaborações do festival com institutos internacionais, destaca-se o programa “Coincidencia”, uma plataforma de intercâmbios culturais entre a Suiça e a América do Sul desenvolvida pela Fundação Suiça para a cultura Pro Helvetia. Além de apoiar os já mencionados Aïsha Devi e ensemble baBel, o Coincidencia igualmente suporta a residência de NicolasField, artista cuja pesquisa central se encontra na materialização da interação entre som, espaço físico e a presença humana. Field irá produzir uma instalação sonora ao lado de Pontogor, carioca radicado em São Paulo que trabalha em diversos meios e cujos interesses passam pela ideia do ruído e do desgaste de imagens e sons.

O Novas Frequências conta com o patrocínio master da Oi, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura, e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro; realização da Cardápio de Ideias Comunicação e Eventos; patrocínio da Stella Artois; apoio cultural do Oi Futuro, apoio do ICAS – International Cities of Advanced Sound, British Council, Pro Helvetia, Consulado do Reino dos Países Baixos, Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, Institut Français Brasil, Bureau Export, Aliança Francesa, Goethe Institut, D/ACCORD e I Hate Flash.

 

Artistas NF 2017 em ordem alfabética

Acid Arab (FR)

Aïsha Devi (CH)

ensemBle baBel plays Christian Marclay (CH)

Carrot Green (BR)

Chelplexx (BR)

Dewi de Vree & Patrizia Ruthensteiner apresentam: Magnetoceptia (NL/AT)

grassmass apresenta: Coisas – a synth tribute to Moacir Santos (BR)

Felinto (BR)

Jeremy Gara (CA)

Louis Laurain apresenta: Unique Horns (FR)

Luisa Lemgruber & Gabriela Mureb & Sanannda Acácia (BR)

Nicolas Field & Pontogor apresentam: To the bone (CH/BR)

Negalê apresenta: Gabinete de Sonoridades Extraordinárias (BR)

Otomo Yoshihide & Felipe Zenicola & Renato Godoy (JP/BR)

Stellar OM Source (FR)

Phantom Chips (UK)

Ute Wassermann & Thomas Rohrer (DE/CH/BR)

William Basinski apresenta: A Shadow in Time (US)