Alexandre van Beeck – Eu nasci assim, que cresci assim.

Quando testemunhamos a profunda transformação no consumo que estamos passando, enxergamos diversas oportunidades das marcas e do varejo se reinventarem. O desenvolvimento de novos canais e pontos de contato nunca esteve tão necessário, amplo e diverso.

Marcas indo ao varejo não é novidade. A necessidade de falar diretamente com o consumidor também não. Criar uma loja física ou um ecommerce como canais independentes já não alcançam os resultados esperado quando comparado aos benefícios de executar uma estratégia integrada entre os canais. Devemos usar o melhor do mundo físico com o melhor do digital em benefício do nosso cliente.
Se essas são condições básicas do novo mercado, por que não conseguimos enxergar abordagens eficientes e integradas com mais frequência no nosso mercado?

Por que ainda encontramos a indústria de doces e guloseimas disputando o balcão do caixa da padaria como se fosse ainda a última fronteira de consumo por impulso?

Por que ainda nos deparamos com indústrias de calçados perdendo oportunidades de contato direto com o consumidor em função do baixo foco que as multimarcas dão às iniciativas da marca?

Até quando veremos o paredão de pasta de dentes, com baixíssima diferenciação entre as marcas, nas prateleiras de supermercados?
Por que ainda marcas de produtos lácteos gastam milhões de reais em GRPs no domingo à tarde na maior emissora de TV do país em uma clara estratégia de comunicação dos anos 80?

A resposta para essas e outras perguntas que martelam a minha cabeça, passa necessariamente pelas estruturas das empresas e a cabeça de seus executivos. Muitos ainda estão presos a modelos antigos, a padrões de resposta quatro décadas atrás e a lentidão que a Cultura das empresas impõe nesse processo.

Não posso generalizar, claro que existem bons exemplos. Mas o que fica cada vez mais evidente é que muitos executivos se frustram por ter acesso à informação, à cases inspiradores, à relatórios incríveis do Google, à palestras de Omnichannel, mas são vencidos pela “Síndrome de Gabriela” da empresa – ”Eu nasci assim, Eu cresci assim, Eu sou mesmo assim, Vou ser sempre assim”.

Não por acaso, start ups nascem com outro ”mindset”, com a agilidade necessária, com o desprendimento que o novo mercado exige e acabam roubando espaço de marcas centenárias.

Beber dessa fonte é um caminho sem volta. Provocar a transformação de suas estruturas é necessário. Conseguir colocar esse pensamento em funcionamento é o grande desafio. Não é à toa que as empresas que hoje se destacam estão encubando start ups, apoiando o desenvolvimento de soluções para seus negócios e estimulando o pensamento inovador, bancando essa aposta.
Que fique claro que o balcão da padaria continuará importante, que a gondola de supermercado ainda terá sua função, que a TV ainda tem um papel a cumprir, mas tudo dentro de um novo contexto e forma de abordagem e sempre apoiada em novos canais de contato ao consumidor e de acesso a seus produtos.

Sei que muitos irão se identificar com essa situação, outros não darão o braço a torcer e alguns já estão em outro momento.
Seja o que for, por favor, movimente-se! Sua marca, seu negócio e você mesmo só tem a se beneficiar. Seu consumidor já está fazendo isso.

 

Alexandre van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult do Grupo GS&Gouvêa de Souza

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